sábado, 30 de julho de 2011

RELENDO

RELENDO
Ao fazer uma releitura, vem forte a lembrança do primeiro livro que ganhei de presente da minha professora de português da 5ª série, a doce Rosangêla, responsável por me apresentar Polliana, seguido de Polliana Moça, O Menino do Dedo Verde e o Pequeno Príncipe. Era o começo de um caminho sem volta, o gosto pela leitura. Nesse momento da vida, sonhar era a ordem do dia, e assim o fiz, estimulada pela magia de Monteiro Lobato e tantos outros que a memória guardou em alguma gaveta própria pra isso.
E nesse universo fui seguindo mundo a fora, até chegar o momento da decisão. Que profissão? Professora, sem vacilar. E assim foi por um tempo, e no contato com os meus alunos, aprendi, ensinei, transformei e me transformei várias vezes.
Mas nem sempre a história é escrita da forma que sonhamos. Acometida da síndrome do pânico, adio sonhos, carreira, enfim a vida paralisa. Deixo a sala de aula e começo a me reinventar para sobreviver nesse momento difícil, que nem a medicina explicava. Quando tudo se agravou e o contato com o mundo ficou ainda mais limitado, o que me restava de conexão com o exterior eram os livros, dos romances espíritas a bula de remédio, devoro tudo. Era pra mim o alívio da prisão que se instalava no meu ser movido pelo medo inexplicável de tudo.
Eis que surge a internet, de forma mágica me conecto com o mundo, descubro coisas, encontro pessoas, começo a reler o mundo, e a pesquisar as causas e a cura para o que sentia. Procurei entender assim, formas de lidar, de burlar as crises, de voltar a viver, enfim, sentia muitas saudades de mim.
Em um belíssimo momento de rebeldia, fui de encontro a tudo que não gosto na medicina (adepta da homeopatia), o remedinho da tarja preta, bem como ao consultório de uma terapeuta.
Superação é o nome que dou a essa momento da minha vida. Tal qual a fênix tatuada na minha perna, renasci. Retomei a vida e fui me reencontrar.Nesse processo, a primeira decisão foi prestar vestibular.
Aprovada, recomecei de forma intensa, desafiadora, mágica, saindo assim do processo de mutilação emocional para o de criação e recriação de mim mesma. Conheço então, a militância sindical, e aprendo novos conceitos sobre respeito, solidariedade, construção coletiva, educação. Hora de reler a vida, de aprender lições práticas e não esquecer jamais.
Mas nada parou por ai e em contínuo processo de mudança, passo a conviver com a militância política, experiência riquíssima e avassaladora, que exigia de mim praticar os novos conceitos aprendidos anteriormente, bem como incorporar tantos outros.
Saio recentemente desse processo carregando uma riqueza de formas e cores que só a convivência com as diversidades e multiplicidades é capaz de dar.
E nesse instante volto a ser desafiada a cumprir um novo papel, ou talvez retomar de onde parei, voltar ao município onde cresci, exercer a minha profissão fazendo uso do “repertório intelectual” acumulado durante essa longa caminhada da vida que, como diz Guimarães Rosa, “esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é... coragem!!

Terezinha Barbosa

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